Em resumo

  • A Meta está testando robôs que podem trocar cabos, reiniciar servidores e inspecionar equipamentos.
  • Alguns trabalhadores temem que as máquinas reduzam o quadro de funcionários ou desloquem o trabalho técnico para funções com salários mais baixos.
  • Os robôs ainda são lentos e exigem assistência humana.

A Meta está testando robôs para manter os data centers que alimentam seus sistemas de inteligência artificial, incluindo máquinas que podem substituir cabos de rede, reiniciar servidores e inspecionar equipamentos.

De acordo com um relatório da WIRED divulgado na sexta-feira, a Meta está testando robôs da Watney Robotics, com sede em São Francisco, da Kinova, com sede em Quebec, e da ABB, com sede em Zurique, que podem reduzir os custos de mão de obra — e potencialmente o quadro de funcionários — à medida que sua infraestrutura de IA se expande.

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Um funcionário não identificado estimou que um robô bem-sucedido de troca de cabos poderia substituir até 80% do trabalho realizado em determinadas funções. O número foi uma estimativa do trabalhador, não uma projeção da Meta, e a máquina ainda não consegue igualar a velocidade de uma pessoa.

Robôs entram na sala de servidores

A Meta está testando robôs para mover racks de servidores, inspecionar equipamentos, substituir cabos e reiniciar servidores. No entanto, as máquinas ainda precisam de supervisão humana e enfrentam dificuldades com obstáculos, duração da bateria, inspeções visuais e cabeamento denso.

Nvidia e Alibaba também estão desenvolvendo sistemas para melhorar o treinamento de robôs. Em junho, a Alibaba apresentou seu Qwen-Robot Suite, com modelos para navegação, manipulação de objetos e simulação física, enquanto pesquisadores da Nvidia introduziram agentes de IA que treinam frotas de robôs.

No entanto, a escassez de dados do mundo real continua sendo uma barreira para levar robôs ao chão de fábrica. O presidente da ACE Robotics, Wang Xiaogang, disse que a IA incorporada — que permite que máquinas percebam e ajam em ambientes físicos — poderia ter um “momento ChatGPT” até o final de 2027.

As empresas também estão testando robôs fora dos data centers. Bedrock Robotics implantou equipamentos de construção autônomos, e a Mercedes-Benz testou robôs humanoides para trabalho fabril repetitivo. Seus desenvolvedores citam escassez de mão de obra e segurança do trabalhador, enquanto críticos alertam que a automação pode eliminar empregos.

Empregos e o boom da IA

O impulso da robótica da Meta está alimentando preocupações de que os data centers construídos para alimentar a IA possam eventualmente empregar menos pessoas. Trabalhadores disseram à WIRED que a automação pode reduzir a demanda por técnicos experientes e transferir as tarefas restantes para funcionários com salários mais baixos seguindo instruções geradas por IA.

Um porta-voz da Meta disse que a empresa continua contratando e treinando trabalhadores em meio à escassez de mão de obra qualificada.

“A América está no meio do seu maior boom de infraestrutura desde a Segunda Guerra Mundial, e há uma grande escassez de trabalhadores qualificados para preencher as vagas; precisamos de mais trabalhadores, não menos”, disse o porta-voz, segundo relatos.

Esse medo conflita com o argumento da indústria para a automação. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, imagina data centers como “fábricas de IA” operadas por pessoas, agentes de software e robôs. Huang e desenvolvedores de robótica argumentam que as máquinas podem suprir a escassez de mão de obra e lidar com trabalhos repetitivos ou perigosos.

Na quarta-feira, o cofundador da Microsoft, Bill Gates, propôs tributar robôs e tokens de IA, argumentando que as regras fiscais atuais podem tornar as máquinas mais baratas que os funcionários. Os robôs da Meta ainda precisam de pessoas para supervisioná-los e realizar reparos difíceis, mas seu desenvolvimento pode determinar se a expansão da pegada de data centers da empresa cria empregos ou os substitui.

A Meta não respondeu imediatamente a um pedido de comentário do Decrypt.